A Nvidia Corporation, uma empresa multinacional de tecnologia americana com sede em Santa Clara, Califórnia, projeta unidades de processamento gráfico (GPUs), sistemas em chip (SoCs) e interfaces de programação de aplicativos (APIs) para ciência de dados, computação de alto desempenho, inteligência artificial (IA) e aplicações móveis e automotivas. Fundada em 1993 por Jensen Huang, Chris Malachowsky e Curtis Priem, a Nvidia cresceu até se tornar uma das maiores empresas por capitalização de mercado, em grande parte devido ao AI boom (2022-present) e à demanda crescente por seu hardware de data center para IA. Em 2025, a Nvidia se tornou a primeira empresa a ultrapassar US$ 4 trilhões em capitalização de mercado, um marco que ressaltou seu domínio no mercado de chips de IA.
A jornada da empresa até a marca de US$ 4 trilhões foi marcada por investimentos estratégicos em software, aquisições e uma aposta inicial em IA. A plataforma CUDA da Nvidia, desenvolvida a um custo de mais de um bilhão de dólares no início dos anos 2000, permitiu que as GPUs lidassem com cargas de trabalho massivamente paralelas, tornando-as essenciais para o treinamento e a implantação de grandes modelos de linguagem e outros sistemas de IA generativa. Em 2025, a Nvidia controlava mais de 80% do mercado de GPUs usadas em treinamento e inferência de IA e fornecia chips para mais de 75% dos supercomputadores TOP500 do mundo.
Fundação e Primeiros Anos
A Nvidia foi fundada em 5 de abril de 1993 por Jensen Huang, um engenheiro eletricista taiwanês-americano e ex-diretor da CoreWare na LSI Logic; Chris Malachowsky, um engenheiro da Sun Microsystems; e Curtis Priem, um engenheiro sênior e designer de chips gráficos na IBM e na Sun Microsystems. Os três cofundadores esboçaram suas ideias iniciais no final de 1992 em um restaurante à beira da estrada Denny's na Berryessa Road, no leste de San Jose, Califórnia. Eles vislumbraram o processamento baseado em gráficos 3D como a melhor maneira de resolver problemas computacionais que haviam escapado à computação de propósito geral, com os videogames como o "aplicativo matador" para financiar pesquisa e desenvolvimento.
Priem renunciou à Sun primeiro, com efeito em 31 de dezembro de 1992, quebrando um impasse em que a esposa de cada fundador queria que o outro pedisse demissão primeiro. Huang deixou a LSI e se juntou oficialmente a Priem em 17 de fevereiro de 1993, que também era o 30º aniversário de Huang, enquanto Malachowsky deixou a Sun no início de março. Os três começaram a trabalhar na casa geminada de Priem em Fremont, Califórnia, com US$ 40.000 no banco (equivalente a US$ 89.000 em 2025). Mais tarde, receberam US$ 20 milhões em financiamento de capital de risco da Sequoia Capital, Sutter Hill Ventures e outros.
O nome da empresa veio de "invidia", a palavra latina para inveja. Priem e Huang ambos creditaram a ideia, depois de rejeitarem nomes como "Primal Graphics" e descobrirem que "NVision" já era usado por um fabricante de papel higiênico. A primeira sede da Nvidia foi em Sunnyvale, Califórnia, depois de superar a casa geminada de Priem.
Listagem Pública e Primeiros Marcos de Produtos
A Nvidia abriu seu capital em 22 de janeiro de 1999. No final de 1999, lançou a GeForce 256 (NV10), seu primeiro produto comercializado como GPU, que introduziu transformação e iluminação (T&L) onboard em hardware 3D de consumo. A GeForce superou os produtos existentes por uma ampla margem, rodando a 120 MHz com pipelines de quatro pixels e aceleração de vídeo avançada.
O sucesso da empresa levou a um contrato para desenvolver hardware gráfico para o console de videogame Xbox da Microsoft, que incluiu um adiantamento de US$ 200 milhões. Em dezembro de 2000, a Nvidia concordou em adquirir os ativos intelectuais da 3dfx, uma ex-rival em gráficos 3D de consumo, com a aquisição finalizada em abril de 2002. Em 2001, a Standard & Poor's selecionou a Nvidia para substituir a Enron no índice de ações S&P 500, garantindo que os fundos de índice mantivessem ações da Nvidia.
CUDA e a Virada para a IA
No início e meados dos anos 2000, a Nvidia investiu mais de um bilhão de dólares para desenvolver o CUDA, uma plataforma de software e API que permitia que as GPUs executassem programas massivamente paralelos para aplicações computacionalmente intensivas além de gráficos. Esse investimento lançou as bases para o domínio da Nvidia em IA, à medida que pesquisadores e empresas adotaram GPUs para tarefas de aprendizado de máquina e aprendizado profundo. O poder de computação das GPUs da Nvidia tornou-se crítico para o treinamento de redes neurais e transformadores, a arquitetura por trás dos sistemas modernos de IA.
As linhas de produtos da Nvidia se expandiram para incluir GPUs GeForce para jogos e cargas de trabalho criativas, GPUs profissionais para computação de borda e pesquisa científica, e a linha de processadores móveis Tegra para smartphones, tablets e infotainment automotivo. A empresa também entrou em hardware e serviços de jogos com produtos como Shield Portable, Shield Tablet e Shield TV, e opera o serviço de jogos em nuvem GeForce Now.
Aquisições e Expansão
A Nvidia fez várias aquisições estratégicas para reforçar suas capacidades de IA e computação. Em 2020, anunciou planos de adquirir a Arm Holdings da SoftBank, mas o negócio foi abandonado em 2022 devido a obstáculos regulatórios. Outras aquisições incluíram a Mellanox Technologies, uma empresa de redes, em 2020, e a Run:ai, uma plataforma de orquestração de IA, em 2024. Essas medidas ajudaram a Nvidia a integrar redes e software em suas ofertas de data center para IA, criando uma solução completa para os clientes.
Em 2022, a Nvidia adquiriu a Omni ML e, em 2023, fez várias aquisições para expandir seu portfólio de IA e automotivo, incluindo Annapurna Labs e Ruptela. A receita de IA da empresa cresceu rapidamente, impulsionada pela demanda de provedores de nuvem e empresas que construíam infraestrutura de IA.
Marcos de Capitalização de Mercado e a Marca de US$ 4 Trilhões
A capitalização de mercado da Nvidia cruzou vários marcos durante o boom da IA. Atingiu US$ 1 trilhão em 2023, US$ 2 trilhões em 2024 e US$ 3 trilhões em 2024, antes de se tornar a primeira empresa a fechar acima de US$ 4 trilhões em 2025. O aumento foi alimentado pela demanda crescente pelo hardware de data center de IA da Nvidia, incluindo GPUs como a A100 e a H100, usadas por empresas como OpenAI, Anthropic e Google DeepMind para treinar e implantar grandes modelos de linguagem.
O marco de US$ 4 trilhões foi um testemunho do papel central da Nvidia no AI boom (2022-present), que viu investimentos massivos em infraestrutura de IA por parte de provedores de nuvem como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud. As GPUs da Nvidia também alimentaram supercomputadores, com mais de 75% dos sistemas TOP500 usando seus chips.
Desafios e Concorrência
Apesar de seu domínio, a Nvidia enfrentou desafios, incluindo restrições de exportação de chips avançados para a China e concorrência de rivais como AMD, Intel e desenvolvedores de chips personalizados como AWS Trainium e TPUs do Google Cloud. A empresa também navegou pelo choque de mercado do DeepSeek R1 em janeiro de 2025, quando um modelo de IA chinês demonstrou que o treinamento eficiente poderia ser feito com menos GPUs, causando uma queda temporária no preço das ações da Nvidia.
O CEO Jensen Huang da Nvidia permaneceu otimista, enfatizando que a demanda por computação de IA continuaria a crescer à medida que os modelos de IA se tornassem mais sofisticados. A empresa também expandiu para software e serviços, como o pacote Nvidia AI Enterprise, para diversificar a receita além do hardware.
Impacto e Legado
A ascensão da Nvidia a uma capitalização de mercado de US$ 4 trilhões marcou um momento significativo no AI boom (2022-present), destacando a importância da infraestrutura de computação no desenvolvimento da inteligência artificial. As GPUs da empresa se tornaram o padrão para treinamento e inferência de IA, e sua plataforma CUDA criou um vasto ecossistema de desenvolvedores e aplicações.
O marco também refletiu tendências mais amplas na indústria de tecnologia, onde empresas de IA como OpenAI, Anthropic e Mistral AI levantaram bilhões em financiamento para construir modelos de IA, impulsionando a demanda pelo hardware da Nvidia. O sucesso da Nvidia inspirou concorrentes e levou a um aumento no investimento em startups de chips de IA como Groq e SambaNova, bem como em silício personalizado de provedores de nuvem.
Em 2025, a capitalização de mercado da Nvidia continuou a flutuar, mas a empresa permaneceu como um indicador para a indústria de IA. Sua capacidade de inovar e se adaptar às mudanças nas condições do mercado provavelmente determinará se ela conseguirá sustentar sua posição como a empresa mais valiosa do mundo.