O SoftBank AI Fund refere-se a um conjunto de iniciativas de investimento estabelecidas pelo SoftBank Group, um conglomerado multinacional japonês, para alocar capital especificamente em empresas de inteligência artificial e tecnologias relacionadas. Esses fundos operam sob o guarda-chuva mais amplo do Vision Fund, lançado em 2017 e que se tornou um dos maiores veículos de investimento focados em tecnologia do mundo. As iniciativas focadas em IA têm visado uma ampla gama de setores, desde a pesquisa fundamental de inteligência artificial até produtos aplicados de IA generativa e infraestrutura de semicondutores.
A estratégia de investimento em IA da SoftBank evoluiu ao longo do tempo, com uma mudança notável no início dos anos 2020 em direção a startups de modelos de linguagem de grande escala e provedores de infraestrutura de IA. O grupo comprometeu bilhões de dólares tanto em empresas privadas quanto públicas, frequentemente assumindo participações minoritárias significativas. Os fundos são geridos pela SoftBank Investment Advisers, com liderança do fundador Masayoshi Son, que publicamente enfatizou a IA como uma força transformadora comparável à internet.
Origens do Vision Fund e Foco em IA
O primeiro Vision Fund, anunciado em outubro de 2016 e fechado em maio de 2017, captou aproximadamente US$ 100 bilhões, com grande apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e de outros fundos soberanos. Embora não fosse exclusivamente focado em IA, uma parte substancial de seus primeiros investimentos visava empresas impulsionadas por IA, incluindo NVIDIA (embora posteriormente vendida), Arm Holdings e várias empresas de robótica e direção autônoma. A tese do fundo centrava-se na "singularidade" e na proliferação da IA em todos os setores, levando a investimentos em Waymo e empreendimentos relacionados a piloto automático da Tesla.
Em 2019, a SoftBank lançou o Vision Fund 2, com um foco declarado em empresas habilitadas por IA, embora dependesse mais de capital interno devido a compromissos externos limitados. Este fundo continuou a apoiar startups de IA, incluindo OpenAI em seus estágios iniciais, embora a participação inicial da SoftBank tenha sido posteriormente reduzida. Em 2023, a SoftBank havia mudado sua postura pública para enfatizar a IA como o núcleo de sua estratégia de investimento, com Son declarando uma mudança de "defesa" para "ataque" nos investimentos em IA.
Principais Investimentos em IA e Portfólio
As iniciativas do fundo de IA da SoftBank incluíram posições significativas tanto na camada de infraestrutura quanto na de aplicações. Os principais investimentos incluem Arm Holdings, que a SoftBank adquiriu em 2016 e posteriormente abriu capital em setembro de 2023, com os designs de chips da empresa sendo críticos para o processamento de IA em dispositivos móveis e de borda. O fundo também investiu na OpenAI por meio de uma rodada de US$ 500 milhões em 2019 e, posteriormente, participou de rodadas de financiamento maiores para Anthropic e Inflection AI, embora algumas participações tenham sido vendidas ou reduzidas.
Outras empresas notáveis no portfólio incluem Figure AI, uma empresa de robótica humanoide, e Sanctuary AI, que desenvolve robôs de propósito geral. A SoftBank também apoiou provedores de infraestrutura de IA como Graphcore (um fabricante de chips de IA sediado no Reino Unido) e Groq, que se concentra na aceleração de inferência. Em 2024, a SoftBank anunciou planos de investir até US$ 500 milhões na venda de ações de funcionários da OpenAI e explorou joint ventures para data centers de IA no Japão e nos Estados Unidos.
Parcerias Estratégicas e Infraestrutura
A SoftBank formou alianças estratégicas para fortalecer seu ecossistema de IA. Uma parceria notável com a OpenAI foi anunciada em 2024, incluindo uma joint venture para comercializar serviços de IA para corporações japonesas, com a SoftBank se comprometendo a comprar chips avançados de IA. O fundo também colaborou com a Arm Holdings para promover o processamento de IA energeticamente eficiente e com a NVIDIA na implantação de GPUs para projetos japoneses de IA, embora essa última relação tenha flutuado.
Os investimentos em infraestrutura incluíram apoio a iniciativas de IA relacionadas a Oracle Cloud e Amazon Web Services, bem como financiamento para a fabricação avançada de chips da TSMC por meio das participações mais amplas da SoftBank. O fundo também investiu em Alibaba Cloud e outros provedores de nuvem, reconhecendo a importância da capacidade computacional para cargas de trabalho de aprendizado de máquina.
Desempenho e Desafios
Os fundos de IA da SoftBank experimentaram volatilidade significativa. O Vision Fund registrou perdas recordes em 2022, em grande parte devido a reduções nos valores de ações de tecnologia, mas se recuperou em 2023 e 2024 à medida que as avaliações de IA dispararam. O desempenho do fundo esteve intimamente ligado ao preço das ações da Arm Holdings, que subiu acentuadamente após seu IPO. No entanto, algumas apostas iniciais em IA, como investimentos em we-work (não específicos de IA), levaram a baixas substanciais, provocando uma abordagem mais seletiva.
Em 2025, a SoftBank levantou um novo fundo focado em IA, com relatos de que visa US$ 100 bilhões, com potencial apoio de fundos soberanos do Oriente Médio. A estratégia do fundo inclui investir em startups de IA generativa, infraestrutura de IA e soluções de energia para data centers. A SoftBank também explorou empréstimos com garantia de sua participação na Arm Holdings para financiar esses investimentos, embora tais movimentos acarretem risco financeiro.
Perspectivas Futuras
As iniciativas do fundo de IA da SoftBank estão posicionadas para desempenhar um papel importante no cenário global de investimentos em IA. O grupo expressou interesse em apoiar pesquisa fundamental, incluindo trabalho no laboratório de IA de Stanford e no CSAIL do MIT, bem como aplicações comerciais em saúde, finanças e robótica. Masayoshi Son afirmou repetidamente que a IA superará a inteligência humana até 2035, impulsionando a tese de longo prazo do fundo. No entanto, o sucesso dessas iniciativas depende das condições de mercado, dos desenvolvimentos regulatórios e da capacidade de gerar retornos em um setor altamente competitivo.