O National AI Research Resource (NAIRR) é uma iniciativa proposta e em fase piloto dos Estados Unidos, projetada para expandir o acesso a infraestrutura de computação, conjuntos de dados, modelos e ferramentas educacionais para pesquisa em inteligência artificial. Seu objetivo principal é democratizar a pesquisa em IA, fornecendo recursos que atualmente estão concentrados em poucas grandes empresas de tecnologia e universidades de elite, permitindo assim que uma comunidade mais ampla de pesquisadores, estudantes e pequenas empresas participe do desenvolvimento de IA. A iniciativa é um esforço colaborativo envolvendo agências federais, parceiros do setor privado e instituições acadêmicas, e opera sob a orientação do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca (OSTP) e da Fundação Nacional de Ciência (NSF).
O conceito de uma infraestrutura nacional compartilhada de pesquisa para IA surgiu de um relatório de 2020 da Comissão de Segurança Nacional em Inteligência Artificial, que recomendou a criação de um recurso federado baseado em nuvem. Em janeiro de 2023, o OSTP e a NSF divulgaram um roteiro para implementar o NAIRR, e um programa piloto foi lançado em janeiro de 2024. O piloto visa testar a viabilidade de um recurso em escala total, com um investimento inicial de aproximadamente US$ 200 milhões de agências federais e contribuições de parceiros do setor privado.
Programa Piloto e Parcerias
O piloto do NAIRR, anunciado em 24 de janeiro de 2024, é um esforço de dois anos liderado pela NSF em colaboração com múltiplas agências federais, incluindo o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa, os Institutos Nacionais de Saúde e o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia. Os parceiros do setor privado incluem grandes provedores de nuvem, como Amazon Web Services, Microsoft Azure, Google Cloud e Oracle Cloud, bem como empresas de hardware de IA como AMD, Intel, NVIDIA (embora não listada, é um parceiro-chave) e SambaNova. O piloto fornece acesso a clusters de computação de alto desempenho, GPUs e hardware otimizado para IA, como chips AWS Trainium, para projetos de pesquisa selecionados.
Uma característica-chave do piloto é o Portal Piloto do NAIRR, um ponto de entrada único para pesquisadores solicitarem acesso aos recursos. O piloto apoia três áreas principais de foco: avançar a pesquisa em IA, aplicar IA a desafios científicos e sociais e expandir a força de trabalho em IA. Por exemplo, um projeto financiado usa modelos de linguagem de grande escala para melhorar a previsão do tempo, enquanto outro aplica aprendizado profundo à imagem de câncer.
Governança e Financiamento
O NAIRR é governado por um grupo de trabalho interagências co-presidido pela NSF e pelo OSTP. O piloto é financiado por meio de orçamentos existentes das agências, com a NSF contribuindo com US$ 140 milhões e o Departamento de Energia com US$ 20 milhões, complementados por contribuições em espécie do setor privado de tempo de computação e serviços. Um relatório de 2023 do OSTP estimou que um NAIRR em escala total exigiria US$ 2,6 bilhões ao longo de seis anos, com custos operacionais anuais de US$ 500 milhões. A iniciativa recebeu apoio bipartidário no Congresso, com projetos de lei apresentados tanto na Câmara quanto no Senado para autorizar financiamento permanente.
Impacto e Críticas
Os proponentes argumentam que o NAIRR nivelará o campo de atuação na pesquisa em IA, permitindo que pesquisadores de instituições menores e faculdades que atendem minorias compitam com aqueles do MIT CSAIL, Stanford AI Lab e Berkeley AI Research. Também visa fomentar a inovação em regiões fora dos polos tecnológicos tradicionais. No entanto, os críticos levantam preocupações sobre a sustentabilidade do piloto, o potencial de atrasos burocráticos e o risco de duplicar serviços de nuvem privada existentes. Alguns pesquisadores notaram que o processo de alocação do piloto é competitivo e pode ainda favorecer instituições estabelecidas com experiência prévia em escrever propostas de subsídios.
Outra crítica é que o foco do NAIRR em fornecer acesso a recursos de nuvem comercial pode inadvertidamente reforçar o domínio de grandes empresas de tecnologia, já que os pesquisadores dependeriam de plataformas proprietárias. Para abordar isso, o piloto inclui parcerias com centros de computação acadêmicos, como o Texas Advanced Computing Center e o San Diego Supercomputer Center, que oferecem pilhas de software de código aberto.
Perspectivas Futuras
Em 2025, o piloto do NAIRR está em andamento, com chamadas periódicas para propostas de pesquisa. A NSF indicou que um NAIRR em escala total poderia estar operacional até 2026 se o Congresso apropriar os fundos necessários. A iniciativa também está explorando a integração com outras infraestruturas nacionais de pesquisa, como o Open Science Grid e a Plataforma Nacional de Pesquisa. O sucesso do piloto provavelmente influenciará a política federal sobre infraestrutura de IA, incluindo possíveis expansões para incluir ferramentas de IA generativa e currículos educacionais de aprendizado de máquina.
O NAIRR representa um experimento significativo em parceria público-privada para infraestrutura científica. Seu resultado moldará como os Estados Unidos abordam o acesso equitativo à computação avançada por décadas.
Iniciativas Relacionadas
Outros países lançaram esforços semelhantes, incluindo a iniciativa AI Factories da União Europeia e a Infraestrutura de Computação em IA do Japão. Esses programas compartilham o objetivo de democratizar a pesquisa em IA, mas diferem em modelos de governança e financiamento. A abordagem federada do NAIRR, que combina recursos comerciais e acadêmicos, é única em sua escala e escopo.
Referências
- National Science Foundation. (2024). Lançamento do Piloto NAIRR.
- White House OSTP. (2023). Roteiro para o Recurso Nacional de Pesquisa em IA.
- National Security Commission on Artificial Intelligence. (2021). Relatório Final.