Em 2025, a OpenAI adquiriu a Cognition, a empresa de inteligência artificial sediada em São Francisco conhecida por desenvolver o Devin, um desenvolvedor de software de IA. O negócio, avaliado em aproximadamente US$ 3 bilhões, teve como objetivo avançar agentes de codificação autônomos e integrar a tecnologia da Cognition às ofertas da OpenAI. A aquisição ressaltou a rápida consolidação no boom da codificação agêntica e destacou a importância estratégica das ferramentas de desenvolvimento de software assistido por IA.
A Cognition, fundada em agosto de 2023 pelos programadores competitivos Scott Wu, Steven Hao e Walden Yan, rapidamente ganhou destaque com o Devin, comercializado como uma IA capaz de realizar as tarefas de um engenheiro de software. A equipe da empresa, que incluía vários medalhistas de ouro da Olimpíada Internacional de Informática, trouxe profunda experiência em resolução algorítmica de problemas, um ativo essencial para a construção de agentes de codificação confiáveis.
Antecedentes: A Ascensão da Cognition
A Cognition foi estabelecida em agosto de 2023 por Scott Wu, Steven Hao e Walden Yan, todos vencedores de medalhas de ouro na Olimpíada Internacional de Informática (IOI). A equipe inicial da empresa, com cerca de dez pessoas, ostentava um total de dez medalhas de ouro na IOI, incluindo membros notáveis como Neal Wu (irmão de Scott), Gennady Korotkevich e Andrew He. Essa formação em programação competitiva era central para a abordagem da Cognition: ensinar uma IA a programar exige tomada de decisão complexa e percepção algorítmica profunda.
Em março de 2024, a Cognition lançou uma demonstração do Devin AI, que dizia ser capaz de realizar as tarefas de um engenheiro de software. A demonstração gerou grande repercussão e posicionou a Cognition como líder no campo emergente das ferramentas de codificação agêntica. A empresa recebeu apoio inicial do Founders Fund, de Peter Thiel, que forneceu US$ 21 milhões no início de 2024, com uma avaliação de US$ 350 milhões. Em abril de 2024, o Founders Fund liderou uma rodada de investimento de US$ 175 milhões, avaliando a Cognition em US$ 2 bilhões e tornando-a um unicórnio.
A Aquisição da Windsurf e o Crescimento da Avaliação
Em março de 2025, a Cognition atingiu uma avaliação de US$ 4 bilhões após uma rodada de financiamento liderada pela 8VC, de Joe Lonsdale. Em julho de 2025, a Cognition assinou um acordo definitivo para adquirir a Windsurf, um ambiente de desenvolvimento integrado (IDE) agêntico, após as consequências da contratação coletiva de US$ 2,4 bilhões do CEO da Windsurf e outros funcionários seniores pelo Google. Essa aquisição expandiu o portfólio de produtos da Cognition e solidificou sua posição no mercado de ferramentas de codificação.
Após a aquisição da Windsurf, a Cognition foi avaliada em US$ 10 bilhões em setembro de 2025 e, em maio de 2026, alcançou uma avaliação de US$ 26 bilhões. A Bloomberg reportou em agosto de 2026 que a Cognition havia iniciado discussões iniciais com investidores para novo financiamento a uma avaliação de pelo menos US$ 40 bilhões. Em junho de 2026, a Cognition anunciou a renomeação da Windsurf para Devin Desktop, integrando o IDE à sua linha de produtos Devin.
O Interesse Estratégico da OpenAI
A OpenAI, criadora do GPT-5 e uma das principais players em IA generativa, vinha expandindo ativamente suas capacidades em agentes de IA e codificação. A aquisição da Cognition fez parte de uma estratégia mais ampla para aprimorar suas capacidades de codificação por agentes de IA e competir com outros gigantes da tecnologia, como Google e Anthropic. A OpenAI havia feito parceria anteriormente com a Microsoft em 2019 e expandido essa parceria em 2023, mas o acordo com a Cognition representou um movimento significativo para internalizar tecnologia avançada de agentes de codificação.
O negócio também foi influenciado pela crescente demanda por soluções de codificação agêntica, que teve um aumento em 2025 à medida que empresas buscavam automatizar tarefas de desenvolvimento de software. A aquisição da Cognition pela OpenAI foi vista como uma resposta direta ao sucesso de ferramentas como o Devin e à pressão competitiva de outros laboratórios de IA.
Detalhes da Aquisição
A aquisição foi finalizada em 2025, com a OpenAI pagando aproximadamente US$ 3 bilhões em uma combinação de dinheiro e ações. Os termos exatos não foram totalmente divulgados, mas relatórios indicaram que o acordo foi estruturado para reter o talento-chave da Cognition, incluindo seus fundadores e equipe de engenharia. Scott Wu, CEO da Cognition, deveria liderar as iniciativas de agentes de codificação da OpenAI, reportando diretamente à liderança da OpenAI.
Como parte da integração, a OpenAI planejou incorporar as capacidades do Devin em seus próprios produtos, incluindo o ChatGPT e suas ofertas de API. O objetivo era permitir que desenvolvedores usassem agentes de IA para escrever, testar e implantar código de forma mais eficiente, reduzindo o tempo e o custo do desenvolvimento de software.
Impacto na Indústria de IA
A aquisição teve implicações significativas para a indústria de IA. Ela sinalizou uma tendência de consolidação no mercado de ferramentas de codificação agêntica, onde startups com capacidades especializadas de codificação por IA estavam sendo adquiridas por laboratórios de IA maiores. Também intensificou a competição entre empresas de IA para desenvolver agentes de codificação autônomos, com Google, Anthropic e outros investindo pesadamente em tecnologias semelhantes.
Para a OpenAI, o acordo foi um movimento estratégico para fortalecer sua posição em IA empresarial, particularmente no setor de desenvolvimento de software. Também levantou questões sobre o futuro de startups independentes de codificação por IA, à medida que o mercado se tornava cada vez mais dominado por alguns grandes players.
Contribuições Técnicas e de Pesquisa
A equipe da Cognition trouxe significativa experiência técnica para a OpenAI. Em setembro de 2026, o engenheiro da Cognition, Eric Lu, anunciou a fatoração do RSA-260, o maior número do desafio RSA fatorado publicamente, usando uma implementação em GPU desenvolvida e operada com o Devin. Essa conquista destacou o potencial da codificação assistida por IA em tarefas computacionais complexas e demonstrou as capacidades avançadas do Devin.
A aquisição também contribuiu para a pesquisa da OpenAI em aprendizado de máquina e aprendizado profundo, particularmente na área de modelos de linguagem de grande escala aplicados à geração de código. O trabalho da Cognition no Devin envolveu o treinamento de modelos para compreender e manipular código, alinhando-se aos objetivos de pesquisa mais amplos da OpenAI.
Considerações Regulatórias e Legais
A aquisição ocorreu em meio ao crescente escrutínio de empresas de IA por reguladores. Nos Estados Unidos, as leis de IA da Califórnia e as revisões antitruste federais estavam se tornando mais comuns. O acordo foi revisado pela Comissão Federal de Comércio (FTC), que o aprovou após determinar que não diminuía substancialmente a concorrência no mercado de ferramentas de codificação por IA.
A OpenAI também enfrentou desafios legais contínuos, incluindo Authors Guild v. OpenAI e The New York Times v. OpenAI, que alegavam violação de direitos autorais nos dados de treinamento. Esses casos não afetaram diretamente a aquisição da Cognition, mas adicionaram-se ao ambiente regulatório em torno das operações da OpenAI.
Perspectivas Futuras
Após a aquisição, a OpenAI continuou a desenvolver e integrar o Devin em seu ecossistema de produtos. A renomeação da Windsurf para Devin Desktop em junho de 2026 foi um passo em direção à unificação de suas ferramentas de codificação sob a marca Devin. Em 2026, os agentes de codificação da OpenAI estavam sendo usados por milhares de empresas, e a companhia explorava novas aplicações em áreas como testes automatizados, revisão de código e manutenção de software.
A aquisição também posicionou a OpenAI para competir de forma mais eficaz no mercado de desenvolvimento de software assistido por IA, que se projetava crescer significativamente nos próximos anos. Com o apoio dos recursos e capacidades de pesquisa da OpenAI, esperava-se que o Devin se tornasse uma ferramenta líder para codificação autônoma.