Kuaishou Technology é uma holding chinesa de capital aberto, parcialmente estatal, sediada no distrito de Haidian, em Pequim. Fundada em 2011 por Hua Su e Cheng Yixiao, a empresa desenvolve um aplicativo móvel para compartilhamento de vídeos curtos, uma rede social e um editor de efeitos especiais para vídeos. O aplicativo é conhecido como Kwai em muitos países fora da China e como Snack Video na Índia, no Paquistão e na Indonésia. A Kuaishou é reconhecida por seu algoritmo inclusivo baseado em valores e por sua incursão na inteligência artificial generativa com o modelo de texto para vídeo Kling.
A Kuaishou originou-se como "GIF Kuaishou", um aplicativo móvel para criar e compartilhar imagens GIF, lançado em março de 2011. Em 2013, transformou-se em uma plataforma social de vídeos curtos, alcançando 100 milhões de usuários diários naquele ano. O crescimento da empresa continuou, ultrapassando 200 milhões de usuários ativos diários em 2019. O modelo de distribuição descentralizada de conteúdo da Kuaishou a diferencia dos concorrentes, enfatizando conteúdo de usuários comuns, especialmente aqueles de áreas rurais.
Propriedade e Governança
A estrutura de propriedade da Kuaishou inclui uma ação de ouro detida pelo China Internet Investment Fund, uma empresa estatal controlada pela Administração Cibernética da China. Esse arranjo concede ao Estado influência significativa sobre as decisões corporativas. As operações no exterior são lideradas por ex-executivos do Google, Facebook, Netflix e TikTok, recrutados para impulsionar a expansão internacional. A empresa tem sede no distrito de Haidian, em Pequim, e está listada na Bolsa de Valores de Hong Kong.
História e Desenvolvimento
Hua Su, ex-engenheiro de software do Google e da Baidu, cofundou a Kuaishou com Cheng Yixiao. O sucesso inicial da plataforma foi impulsionado pelo foco em conteúdo gerado pelo usuário e interação social. Em março de 2017, a Kuaishou levantou US$ 350 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela Tencent, e em janeiro de 2018, a Forbes estimou sua avaliação em US$ 18 bilhões. Em abril de 2018, o aplicativo enfrentou uma proibição temporária das lojas de aplicativos chinesas depois que a China Central Television (CCTV) noticiou conteúdo envolvendo mães adolescentes.
Em 2019, a Kuaishou fez parceria com o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, para explorar aplicações de inteligência artificial em notícias. A expansão internacional da empresa enfrentou reveses em junho de 2020, quando o Governo da Índia baniu o Kwai, juntamente com outros 58 aplicativos, citando questões de dados e privacidade. Em janeiro de 2021, a Kuaishou anunciou planos para uma oferta pública inicial (IPO) visando levantar aproximadamente US$ 5 bilhões. As ações estrearam na Bolsa de Valores de Hong Kong em fevereiro de 2021, com alta de 194% na abertura, elevando o valor de mercado para mais de HK$ 1 trilhão (US$ 159 bilhões). No entanto, o aumento das restrições regulatórias sobre empresas de internet chinesas levou a uma queda de quase 80% no preço das ações em relação ao pico pós-IPO. Em dezembro de 2021, a Kuaishou anunciou uma grande reorganização, incluindo demissões de 30% do quadro de funcionários, visando principalmente funcionários de nível médio que ganhavam mais de US$ 157.000 anuais.
Em outubro de 2022, a estatal Estação de Rádio e Televisão de Pequim adquiriu uma participação minoritária. Em abril de 2024, um relatório do Financial Times citou funcionários atuais e antigos descrevendo um programa de demissões etarista chamado "Limestone", que visava trabalhadores na faixa dos 30 e poucos anos. Em junho de 2024, a Kuaishou lançou um centro de filial em São Paulo, Brasil, em parceria com o Centro de Comunicação Internacional de Sichuan. Em dezembro de 2025, a empresa sofreu um ciberataque que temporariamente inundou a plataforma com conteúdo violento e pornográfico.
IA e Geração de Vídeo
Em junho de 2024, a Kuaishou lançou o Kling, um modelo de texto para vídeo baseado em transformer de difusão, capaz de gerar dois minutos de vídeo a 30 quadros por segundo em resolução 1080p. O Kling foi comparado ao modelo Sora da OpenAI e é acessível ao público por meio do aplicativo de edição de vídeo KwaiCut, onde os usuários podem entrar em uma lista de espera com um número de telefone chinês. Esse desenvolvimento posiciona a Kuaishou como um player significativo no espaço da inteligência artificial generativa, aproveitando arquiteturas de aprendizado profundo e transformers. O lançamento do modelo está alinhado com tendências mais amplas em aprendizado de máquina e pesquisa em redes neurais, embora detalhes técnicos específicos permaneçam proprietários.
Popularidade e Base de Usuários
Em 2019, a Kuaishou tinha mais de 200 milhões de usuários ativos diários em todo o mundo, liderando as paradas de downloads em oito países, incluindo o Brasil, onde foi lançada naquele ano. Em 2021, a plataforma relatou 777 milhões de usuários ativos mensais, com 25% criando conteúdo. Mais de 240 milhões de usuários obtiveram renda por meio de presentes virtuais ou comércio eletrônico ao vivo. Em 2022, os usuários passaram em média 128,1 minutos por dia no aplicativo. A base de usuários da Kuaishou tende a ser mais velha e mais rural em comparação com sua principal concorrente, a Douyin (conhecida como TikTok fora da China). A estética "rústica" da plataforma e o foco na vida rural contribuíram para sua popularidade inicial. A Kuaishou também depende mais de receita de comércio eletrônico do que de publicidade em comparação com a Douyin.
Recepção e Controvérsias
O Kwai enfrentou uma proibição na Índia em 2020, juntamente com outros aplicativos de vídeos curtos, e um clone subsequente, o SnackVideo, também foi banido. No Brasil, o Kwai se tornou uma das plataformas de mídia social mais populares, fazendo parceria com criadores para conteúdo no estilo de telenovela e patrocinando os times de futebol CR Flamengo e Santos FC, além do torneio Copa América. No entanto, o aplicativo foi criticado por espalhar desinformação sobre vacinas contra COVID-19 e conteúdo político.
O termo "Manjiao Wenhua" (慢脚文化) surgiu como uma referência sarcástica a conteúdo antiético ou ilegal na Kuaishou. A emissora estatal CCTV noticiou conteúdo que retratava gravidez infantil, e Wang Zhenhui, da Universidade de Ciência Política e Direito da China, observou que tal conteúdo poderia afetar negativamente menores. A plataforma também enfrentou escrutínio por conteúdo que mostrava menores fumando.
Expansão Internacional
A estratégia internacional da Kuaishou envolve adaptar seu aplicativo para mercados locais. No Brasil, fez parceria com criadores e times esportivos locais para construir uma base de usuários leal. A equipe internacional da empresa inclui ex-executivos de grandes empresas de tecnologia, refletindo sua ambição de competir globalmente. Apesar de desafios como a proibição na Índia, a Kuaishou continua expandindo sua presença, particularmente na América Latina e no Sudeste Asiático.
Ver Também
- Lista de programação original da Kuaishou
- Lista de plataformas de conteúdo por usuários ativos mensais