DeepMind Technologies Limited, um laboratório de pesquisa em inteligência artificial britânico-americano, foi adquirido pelo Google em janeiro de 2014. A aquisição, confirmada em 26 de janeiro de 2014, foi avaliada, segundo relatos, entre US$ 400 milhões e US$ 650 milhões. A empresa, fundada em Londres em 2010, tornou-se uma subsidiária da Alphabet Inc. e, posteriormente, fundiu-se com a divisão de IA do Google, o Google Brain, para formar o Google DeepMind em abril de 2023. Com sede em Londres, opera centros de pesquisa nos Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha e Suíça.
A aquisição marcou um momento crucial na comercialização da inteligência artificial, reunindo uma equipe de pesquisa líder com os vastos recursos computacionais do Google. Os fundadores da DeepMind pretendiam criar uma IA de propósito geral, e a aquisição forneceu o financiamento e a infraestrutura necessários para perseguir esse objetivo ambicioso.
História
A DeepMind foi fundada em novembro de 2010 por Demis Hassabis, Shane Legg e Mustafa Suleyman. Hassabis e Legg se conheceram na Unidade de Neurociência Computacional Gatsby, na University College London. A visão dos fundadores era desenvolver uma IA de propósito geral capaz de aprender e se adaptar a diversas tarefas. Inicialmente, a empresa focou em ensinar a IA a jogar videogames clássicos de Atari, como Breakout, Pong e Space Invaders, usando pixels brutos como entrada e aprendizado por reforço para dominar os jogos sem conhecimento prévio.
Os primeiros investidores incluíram as firmas de capital de risco Horizons Ventures e Founders Fund, além dos empreendedores Scott Banister, Peter Thiel e Elon Musk. Jaan Tallinn, cofundador do Skype, foi um investidor e conselheiro inicial. A empresa atraiu interesse do Facebook, do Google e de outros, mas, em última análise, escolheu a oferta do Google.
Após a aquisição, a DeepMind foi renomeada para Google DeepMind por cerca de dois anos. Em 2014, recebeu o prêmio "Empresa do Ano" do Cambridge Computer Laboratory. A empresa também buscou aplicar a IA a benefícios sociais, firmando parceria com o NHS em setembro de 2015 para desenvolver um aplicativo de gerenciamento de tarefas clínicas chamado Streams, com o objetivo de modernizar sistemas de informação que ainda dependiam de papel e fax.
O Google estabeleceu um conselho de ética em IA para a DeepMind, embora sua composição nunca tenha sido divulgada. Em 2017, a DeepMind lançou uma unidade dedicada de Ética e Sociedade, com o filósofo Nick Bostrom como conselheiro, para abordar questões éticas e sociais levantadas pela IA. Em dezembro de 2019, o cofundador Mustafa Suleyman deixou a DeepMind para se juntar ao Google em uma função de políticas públicas.
Em abril de 2023, a DeepMind fundiu-se com a divisão Google Brain do Google AI para formar o Google DeepMind, uma medida vista como resposta ao lançamento do ChatGPT pela OpenAI. Essa fusão encerrou anos de executivos da DeepMind buscando maior autonomia em relação ao Google. No verão de 2026, a empresa mudou-se para o edifício Platform 37 do Google, em King's Cross Central.
Produtos e Tecnologias
A DeepMind publicou mais de mil artigos, incluindo treze na Nature ou na Science até 2020. Sua pesquisa abrange aprendizado de máquina, aprendizado profundo e redes neurais, com foco em aprendizado por reforço e algoritmos de propósito geral.
Jogos
Diferentemente de sistemas de IA anteriores, como o Deep Blue da IBM, que foram projetados para tarefas específicas, os algoritmos da DeepMind foram concebidos para serem gerais. Usando Q-learning profundo com redes neurais convolucionais, a IA aprendeu a jogar videogames a partir de dados brutos de pixels. Em 2013, a DeepMind publicou pesquisas mostrando que sua IA superava o desempenho humano em jogos como Pong, Breakout e Enduro, e alcançou resultados de ponta em Seaquest, Beamrider e Q*bert. Esse trabalho teria contribuído para a decisão do Google de adquirir a empresa.
Em 2020, a DeepMind apresentou o Agent57, um agente de IA que superou o desempenho humano em todos os 57 jogos do conjunto Atari 2600. Em julho de 2022, a empresa anunciou o DeepNash, um sistema de aprendizado por reforço multiagente sem modelo que jogava o jogo de tabuleiro Stratego em nível especialista.
AlphaGo e Sucessores
Em outubro de 2015, o AlphaGo, um programa de Go desenvolvido pela DeepMind, derrotou o campeão europeu Fan Hui, um profissional de 2 dan, por cinco jogos a zero. Foi a primeira vez que uma IA venceu um jogador profissional de Go. Em 2016, o AlphaGo venceu Lee Sedol, um campeão mundial, em uma partida de cinco jogos, documentada no filme AlphaGo. Um programa mais geral, o AlphaZero, posteriormente derrotou os programas mais fortes de Go, xadrez e shogi após apenas alguns dias de autojogo usando aprendizado por reforço.
A DeepMind continuou a desenvolver IA para jogos, incluindo MuZero e AlphaStar, e expandiu-se para a matemática e a descoberta de algoritmos com sistemas como AlphaGeometry, FunSearch, AlphaEvolve, AlphaDev e AlphaTensor.
AlphaFold e Dobramento de Proteínas
Em 2020, a DeepMind alcançou um grande avanço no dobramento de proteínas com o AlphaFold, que estabeleceu recordes de estado da arte em testes de referência. Em julho de 2022, o banco de dados AlphaFold continha mais de 200 milhões de estruturas proteicas previstas, cobrindo praticamente todas as proteínas conhecidas, um recurso de imenso valor para a pesquisa biológica.
Modelos de Linguagem de Grande Porte e IA Generativa
Após a fusão com o Google Brain, o Google DeepMind desenvolveu duas famílias de modelos de linguagem de grande porte: o proprietário Gemini e o de pesos abertos Gemma. Também criou modelos de IA generativa para imagens (Imagen), vídeo (Veo) e música (Lyria). Esses modelos aproveitam avanços em transformadores e outras arquiteturas, posicionando o Google DeepMind como um player-chave no cenário competitivo de IA, ao lado de OpenAI e Anthropic.