Traduzido do inglês

DABUS (Dispositivo para a Autogeração Autônoma de Sentimento Unificado) é um sistema de inteligência artificial criado por Stephen Thaler, conhecido por gerar invenções e provocar debates jurídicos globais sobre a autoria de invenções por IA no direito de patentes.

DABUS (Dispositivo para a Inicialização Autônoma de Sentimento Unificado) é um sistema de inteligência artificial desenvolvido por Stephen Thaler, pesquisador e empresário. O sistema supostamente concebeu dois produtos inovadores: um recipiente de alimentos usando geometria fractal para reaquecimento rápido e um sinalizador intermitente para atenção em emergências. Thaler registrou pedidos de patente em múltiplas jurisdições designando DABUS como inventor, levando a uma série de decisões legais sobre se uma IA pode ser nomeada como inventor sob a lei de patentes. Esses casos tornaram-se um marco na interseção entre IA generativa e propriedade intelectual, levantando questões sobre a definição de autoria inventiva e o papel das máquinas na inovação.

O sistema DABUS baseia-se no trabalho anterior de Thaler sobre redes neurais artificiais e sua teoria da "consciência de máquina". Ele usa uma arquitetura de rede neural que pode gerar conceitos inovadores por meio de um processo que Thaler chama de "inicialização autônoma", onde o sistema aprende e cria sem intervenção humana. As invenções foram geradas por DABUS de forma independente, com Thaler atuando como requerente e proprietário do sistema.

Procedimentos Legais na Austrália

Em 17 de setembro de 2019, Thaler registrou um pedido junto à IP Australia para uma patente do recipiente de alimentos, nomeando DABUS como inventor. Em 21 de setembro de 2020, a IP Australia rejeitou o pedido, sustentando que a seção 15(1) da Lei de Patentes de 1990 (Cth) não permite que uma máquina de IA seja tratada como inventor. Thaler buscou revisão judicial e, em 30 de julho de 2021, o Tribunal Federal anulou a decisão da IP Australia, ordenando reconsideração. No entanto, em 13 de abril de 2022, o Tribunal Pleno do Tribunal Federal reverteu essa decisão, afirmando que apenas uma pessoa natural pode ser inventor sob a Lei e os Regulamentos de Patentes. Em 11 de novembro de 2022, o Tribunal Superior recusou a Thaler permissão especial para apelar, encerrando o desafio australiano.

Escritório Europeu de Patentes e Decisões do Reino Unido

Thaler registrou dois pedidos de patente europeus em 17 de outubro e 7 de novembro de 2018, cobrindo o recipiente de alimentos e o sinalizador. Em 27 de janeiro de 2020, o Escritório Europeu de Patentes (EPO) os rejeitou porque o inventor foi listado como DABUS, não um humano, citando o Artigo 81 e a Regra 19(1) da Convenção Europeia de Patentes. A Câmara de Recursos do EPO rejeitou o recurso de Thaler em 21 de dezembro de 2021, confirmando que "sob a EPC, o inventor designado deve ser uma pessoa com capacidade legal".

No Reino Unido, Thaler registrou pedidos semelhantes nas mesmas datas. O Escritório de Propriedade Intelectual do Reino Unido os rejeitou, e um oficial de audiência manteve essa decisão em 4 de dezembro de 2019. Thaler apelou ao Tribunal de Patentes, onde o Juiz Marcus Smith manteve a rejeição em 21 de setembro de 2020. O Tribunal de Apelação rejeitou um recurso adicional em 21 de setembro de 2021, com os Lordes Juízes Arnold e Laing na maioria e o Lorde Juiz Birss discordando. Em 20 de dezembro de 2023, a Suprema Corte do Reino Unido rejeitou o recurso final de Thaler, sustentando que um "inventor" sob a Lei de Patentes de 1977 deve ser uma pessoa natural.

Estados Unidos e Outras Jurisdições

O USPTO recusou os pedidos de patente de Thaler, decidindo que apenas pessoas naturais podem ser inventores. Thaler registrou uma reclamação sob a Lei de Procedimento Administrativo e uma petição sob 37 C.F.R. § 1.181, mas em 5 de agosto de 2022, o Tribunal de Apelações dos EUA para o Circuito Federal confirmou a posição do USPTO, concluindo que o "quem" no estatuto de patentes refere-se apenas a pessoas naturais.

Na Nova Zelândia, o Escritório de Propriedade Intelectual decidiu em 31 de janeiro de 2022 que o pedido de Thaler era nulo porque nenhum inventor foi identificado, já que DABUS não poderia ser um "criador real" sob a Lei de Patentes de 2013. O Tribunal Superior da Nova Zelândia confirmou isso em 2023.

Em contraste, a Comissão de Empresas e Propriedade Intelectual da África do Sul aceitou o pedido de Thaler em 24 de junho de 2021 e emitiu um aviso de concessão em julho de 2021, tornando-o a primeira patente concedida para uma invenção de IA. No entanto, essa decisão não foi submetida ao mesmo exame substantivo que em outras jurisdições.

Decisão Suíça e Consequências

Em 26 de junho de 2025, o Tribunal Administrativo Federal Suíço decidiu que sistemas de IA como DABUS não podem ser listados como inventores em pedidos de patente suíços, mantendo a prática do Instituto Federal Suíço de Propriedade Intelectual. O tribunal rejeitou o pedido principal de Thaler, mas aceitou um subsidiário: um requerente humano que reconhece e registra uma patente baseada em uma invenção gerada por IA pode ser considerado o inventor. Como resultado, o pedido poderia prosseguir com Thaler listado como inventor. A decisão (B-2532/2024) permanece sujeita a recurso ao Supremo Tribunal Federal Suíço.

Os casos DABUS provocaram discussões entre formuladores de políticas e estudiosos do direito sobre a adaptação das leis de patentes para acomodar a inovação impulsionada por IA. Enquanto a maioria das jurisdições manteve que os inventores devem ser pessoas naturais, a decisão suíça oferece um caminho potencial para invenções geradas por IA serem patenteadas por requerentes humanos. Esses desenvolvimentos continuam a moldar o panorama legal para tecnologias de aprendizado de máquina e aprendizado profundo na propriedade intelectual.

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