O Instituto de Pequim para Inteligência Artificial Geral (BIGAI; em chinês: 北京通用人工智能研究院; pinyin: Běijīng Tōngyòng Réngōng Zhìnéng Yánjiùyuàn) é uma organização de pesquisa dedicada ao avanço da inteligência artificial geral (AGI). Estabelecido em Pequim, China, em 2020, o BIGAI recebe apoio do Governo Municipal de Pequim e do Ministério da Ciência e Tecnologia, e colabora com instituições acadêmicas, incluindo a Universidade de Pequim e a Universidade Tsinghua. O instituto é dirigido pelo Professor Song-Chun Zhu, que retornou à China após 28 anos na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA).
A filosofia de pesquisa do BIGAI contrasta com as abordagens ocidentais dominantes que enfatizam grandes modelos de linguagem treinados em conjuntos de dados massivos, que ele caracteriza como "grandes dados, pequenas tarefas". Em vez disso, o instituto busca um paradigma de "pequenos dados, grandes tarefas", inspirando-se na ciência cognitiva e na psicologia do desenvolvimento. Essa abordagem visa desenvolver o que Zhu descreve como o "paradigma do corvo", focando no comportamento de raciocínio e na inteligência baseada em valores e relações de causa e efeito, como uma alternativa ao "paradigma do papagaio" dos sistemas de IA atuais.
História
O BIGAI foi fundado em 2020 sob a liderança do Professor Song-Chun Zhu, especialista em visão computacional, estatística, matemática aplicada e inteligência artificial. O instituto foi estabelecido com apoio governamental como parte das iniciativas mais amplas da China para avançar a pesquisa em IA. A formação acadêmica de Zhu inclui uma longa passagem pela UCLA, onde contribuiu para a visão computacional e a aprendizagem estatística antes de retornar à China para liderar o BIGAI.
Organização
O BIGAI opera como uma organização de pesquisa com afiliações à Universidade de Pequim, à Universidade Tsinghua e a outras instituições acadêmicas chinesas. A liderança inclui Song-Chun Zhu como Diretor e Diretor Fundador, e Dong Le como Vice-Diretor Executivo. A estrutura do instituto apoia pesquisa interdisciplinar em múltiplos domínios de IA, aproveitando colaborações com parceiros acadêmicos para fomentar a inovação em AGI.
Abordagem de pesquisa
A abordagem de pesquisa do BIGAI está fundamentada em uma perspectiva de ciência cognitiva e psicologia do desenvolvimento. O instituto argumenta que os sistemas de IA atuais, particularmente os grandes modelos de linguagem, dependem de "grandes dados, pequenas tarefas" - aprendendo com vastos conjuntos de dados para realizar tarefas estreitas. Em contraste, o BIGAI visa desenvolver sistemas que possam aprender com "pequenos dados" para realizar "grandes tarefas", imitando a maneira como os humanos aprendem com exemplos limitados e generalizam para situações novas. Esse paradigma enfatiza raciocínio, comportamento orientado por valores e compreensão de causa e efeito.
Principais áreas de pesquisa
- Visão e compreensão de cenas
- Raciocínio cognitivo
- Inteligência incorporada
- Aprendizagem multiagente
- Inteligência orientada por valores
- Inteligência autônoma
Projetos notáveis
Criança de IA Tong Tong
Em janeiro de 2024, o BIGAI anunciou "Tong Tong" (também referida como "Menina"), descrita como uma "criança de inteligência artificial". Tong Tong é uma entidade virtual projetada para simular comportamento e capacidades semelhantes aos de uma criança de três ou quatro anos. De acordo com o BIGAI, a IA pode atribuir tarefas a si mesma, aprender de forma independente e demonstrar emoções e sistemas de valores simulados, embora a verificação independente tenha sido limitada. O sistema opera no sistema operacional de AGI TongOS2.0 e na linguagem de programação TongPL2.0, ambos desenvolvidos no BIGAI. O projeto foi apresentado na Exposição de Fronteiras da Tecnologia de Inteligência Artificial Geral em Pequim, em 28-29 de janeiro de 2024.
Em abril de 2024, o BIGAI apresentou uma versão atualizada, Tong Tong 2.0, que afirma ter capacidades aprimoradas mais comparáveis a uma criança de 5-6 anos, incluindo habilidades melhoradas de linguagem, cognição, movimento, aprendizagem, emoção e interação. Essas afirmações ainda não foram extensivamente avaliadas por pesquisadores independentes fora da China.
O Teste Tong
O BIGAI propôs o "Teste Tong" como uma alternativa ao teste de Turing para avaliar AGI. De acordo com o BIGAI, o teste envolve avaliação de capacidades em cinco dimensões - visão, linguagem, cognição, movimento e aprendizagem - e incorpora um sistema de valores que varia de necessidades fisiológicas a valores sociais. A comunidade científica ainda não adotou amplamente este teste como padrão para avaliação de AGI.
Filosofia e objetivos
O BIGAI declara sua missão como "buscar uma teoria unificada da inteligência artificial para criar agentes inteligentes gerais para elevar a humanidade". O instituto visa desenvolver sistemas inteligentes com capacidades em percepção, cognição, tomada de decisão, aprendizagem e colaboração social que estejam alinhadas com os valores humanos. Essa visão posiciona o BIGAI dentro do esforço global mais amplo para alcançar AGI, mas com uma abordagem metodológica distinta enraizada na ciência cognitiva.
Ver também
- Inteligência artificial
- Aprendizado de máquina
- Aprendizado profundo
- Rede neural
- Grande modelo de linguagem
- Transformer
- OpenAI
- Anthropic
- Google DeepMind
- IA generativa
- Berkeley AI Research
- MIT CSAIL
- Stanford AI Lab
- Universidade Carnegie Mellon
- Universidade de Toronto
- Universidade de Oxford